Usei um véu ou lenço durante grande parte da minha vida. Na minha congregação, as Irmãs Combonianas, o véu não é obrigatório, mas eu o adotei livremente — primeiro na Itália, terra natal de muitas de nossas irmãs mais velhas, para quem o véu tem um significado profundo. Lá, ele se tornou um sinal de continuidade, respeito e pertencimento.

Irmã Cecilia Sierra, missionária comboniana

Nos Estados Unidos — enquanto estudava na universidade, morava no campus, servia comunidades migrantes na fronteira, participava do ministério paroquial, fazia apelos missionários ou dirigia a Associação das Irmãs Latinas — eu o usava com intenção, ciente de como ele expressava identidade e missão.

Fiz meus votos finais no Egito, um país predominantemente islâmico, onde o véu se tornou quase parte de quem eu era. Às vezes, substituí-lo por um lenço simples me permitia misturar-me à vida cotidiana, movendo-me livremente pelas ruas, mesquitas e mercados. No entanto, sempre que usava o véu, ele me dava segurança — uma garantia silenciosa de lar, proteção e propósito.

No Sudão, como uma jovem irmã que dirigia o escritório de comunicações, o véu oferecia identidade e autoridade. Ele abria portas e garantia respeito em lugares onde uma jovem mulher sem véu não seria levada a sério.

No Sudão do Sul, ele se tornou um escudo. Durante os anos turbulentos que se seguiram ao Acordo de Paz Abrangente, quando soldados e milícias enchiam as ruas, o véu literalmente salvou minha vida. Em uma tarde escaldante, um soldado furioso me parou; só quando cobri minha cabeça é que sua postura mudou. “Com licença, irmã”, disse ele, devolvendo meus documentos.

Na Guatemala foi diferente. Lá, o véu significava status e prestígio que eu não queria reivindicar. Em vez disso, optei por me vestir como as mulheres locais — calças, blusas coloridas bordadas — para poder andar com elas como uma de suas semelhantes.

Na Palestina, trabalhando com mulheres beduínas na Cisjordânia, o véu mais uma vez pareceu natural. A graça e a dignidade com que elas o usavam me fizeram sentir em casa. Em Jerusalém e em todo o deserto da Terra Santa, mulheres — muçulmanas, judias e cristãs — cobrem a cabeça. Entre elas, encontro ressonância. Meu simples véu branco se torna um sinal de quem eu sou e do que me comprometo a ser.

Cada vez que o uso, lembro-me da promessa que fiz no dia dos meus primeiros votos: viajar entre os povos de Deus com humildade e presença — às vezes com um véu, às vezes sem ele — sempre buscando harmonia com as mulheres, as culturas, as línguas e as vidas que me rodeiam.

Para além do véu, permaneço unida Àquele que é Compassivo e Misericordioso, o Deus que nos reúne a todos e nos convida a refugiar-nos sob o véu suave da Sua santidade — o manto divino que abriga, consola e gentilmente atrai cada coração para o seu verdadeiro lar.